Ex-senador afirma que levou o tema para o então presidente Jair Bolsonaro
O ex-senador Luiz do Carmo (Podemos) relembrou que foi o primeiro parlamentar a protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, no podcast Domingos Conversa, transmitido nesta segunda-feira (16/3).
Ao relembrar sua passagem pelo Senado, Luiz do Carmo resgatou um dos episódios mais sensíveis de sua atuação em Brasília: a decisão de apresentar, sozinho, um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes ainda no início da escalada de tensão entre o bolsonarismo e o STF. Segundo ele, a motivação veio quando Moraes impediu a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal.
“Quando o primeiro ato do Alexandre de Moraes foi não deixar o Ramagem assumir a Polícia Federal, quando eu vi aquilo, como senador, pensei: esse ministro não pode intervir no Poder Executivo”, afirmou.
Na avaliação do ex-senador, ali começou um processo de avanço do ministro sobre outras esferas de poder. “Ele começou a calar a nossa voz”, disse. A partir desse entendimento, decidiu agir por conta própria. “Eu fiz o impeachment sozinho, não peguei assinatura de outro senador não. O impeachment baseado no que ele estava fazendo, o que ele não podia fazer”, declarou.
Luiz do Carmo disse ainda que levou o tema diretamente ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) e que tentou alertá-lo para o que viria pela frente caso não houvesse reação política. “Foi lá que eu apresentei pro presidente Bolsonaro o impeachment. Eu pedi: age, esse homem vai mandar no seu governo se você não agir agora”, relatou.
Segundo o ex-senador, Bolsonaro ouviu o alerta, mas não deu o encaminhamento que ele esperava. “O presidente deu ouvidos, mas viu o que ele faz. Não reagiu, virou o que virou, hoje, prendeu o presidente”, afirmou.
Em outro trecho, reforçou a crítica à postura adotada pelo ex-presidente naquele momento. “Ele pensou que ia controlar ele na conversa. Ele não controla, ele não controlou”, disse.

























