Início Economia Custo da cesta básica aumenta pelo segundo mês seguido nas 27 capitais

Custo da cesta básica aumenta pelo segundo mês seguido nas 27 capitais

Alta nos preços da cesta básica atinge todas as capitais brasileiras
Alta nos preços da cesta básica atinge todas as capitais brasileiras / Foto: Magnific

Levantamento mostra alta da cesta básica nas 27 capitais e maior comprometimento da renda dos trabalhadores

Quem passa pelos corredores dos supermercados já percebe que alguns produtos estão consumindo uma parte maior do orçamento. Agora, um novo levantamento confirma essa sensação, uma vez que o valor da cesta básica aumentou nas 27 capitais brasileiras pelo segundo mês consecutivo.

A saber, os dados foram divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O estudo acompanha mensalmente os preços dos principais alimentos consumidos pela população e mostra como essas variações impactam o dia a dia dos brasileiros.

Além da alta registrada, o levantamento também revela que o trabalhador precisou dedicar mais horas de trabalho para comprar os itens considerados essenciais para a alimentação da família.

Alta dos alimentos atinge todas as capitais

O custo da cesta básica apresentou crescimento em todas as capitais pesquisadas entre março e abril de 2026. Algumas cidades registraram aumentos mais expressivos, como Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%).

Entre as capitais analisadas, São Paulo voltou a liderar a lista da cesta mais cara do país. O conjunto de alimentos básicos chegou ao valor de R$ 906,14. Na sequência aparecem Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26).

Por outro lado, algumas cidades das regiões Norte e Nordeste apresentaram valores menores. Aracaju teve o menor custo médio (R$ 619,32), seguida por São Luís (R$ 639,24), Maceió (R$ 652,94) e Porto Velho (R$ 658,35).

Em Goiânia, o custo da cesta básica ficou em R$ 787,08, que representa uma variação mensal de 3,50%.

Cabe mencionar que o aumento da cesta básica não ficou restrito ao comparativo mensal. Quando os números são analisados ao longo dos últimos 12 meses, o cenário também chama atenção. Dezoito capitais registraram alta no período, enquanto nove tiveram redução nos preços.

Ainda mais, outro dado relevante mostra que, nos quatro primeiros meses de 2026, todas as capitais apresentaram crescimento acumulado nos valores dos alimentos pesquisados.

Quanto do salário vai para a alimentação?

É interessante mencionar que o levantamento também calcula quanto um trabalhador precisa destinar do salário para adquirir os produtos da cesta básica.

Em abril, o tempo médio necessário para comprar os alimentos chegou a 100 horas e 52 minutos de trabalho. No mês anterior, essa necessidade era de 97 horas e 55 minutos.

Na prática, isso significa que quase metade da renda líquida de quem recebe salário mínimo foi utilizada apenas para a compra dos alimentos básicos.

Segundo os dados do DIEESE, um trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em média, 49,57% da renda líquida com a cesta básica durante o mês de abril. Em março, esse percentual era de 48,12%.

Esses números ajudam a mostrar como pequenas variações nos preços dos alimentos podem afetar diretamente o orçamento doméstico, principalmente em famílias que dependem de rendimentos mais limitados.

Leite subiu em todas as capitais

Por fim, vale citar que entre os produtos que fazem parte da cesta básica, o leite integral chamou atenção por registrar aumento de preço em todas as 27 capitais pesquisadas entre março e abril. As altas variaram de 1,63% em Macapá até 15,70% em Teresina.

Quando o olhar se volta para os últimos 12 meses, o cenário também mostra mudanças em várias regiões do país.

O produto ficou mais caro em 14 capitais, com destaque para Rio de Janeiro e Manaus. Em outras 13 cidades, porém, houve redução nos preços, como em São Luís e Macapá.

De acordo com o levantamento, um dos motivos para essa movimentação foi a menor oferta de leite no campo durante o período de entressafra. Com menos matéria-prima disponível, os derivados lácteos passaram a chegar ao consumidor com valores mais altos.

Com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)