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SUS começa a oferecer 9 medicamentos para tratamento do câncer; veja quais são

SUS inicia a oferta gradual de nove novos medicamentos para o tratamento do câncer
SUS inicia a oferta gradual de nove novos medicamentos para o tratamento do câncer / Foto: Magnific

A oferta será gradual, começará em 20 centros de tratamento nas cinco regiões do país e deverá chegar aos demais serviços especializados até o fim de 2026

O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a disponibilizar nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia para pacientes de diferentes regiões do país. Os tratamentos contemplam 13 indicações de câncer, incluindo tumores de mama, próstata, pulmão, rim e estômago, além de alguns tipos de linfoma.

A previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas, com ampliação gradual da oferta para os centros especializados até o fim de 2026.

Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas e faz parte de uma estratégia para ampliar o acesso ao tratamento oncológico na rede pública.

A expectativa do governo federal é incorporar 23 novos medicamentos até o final do ano, aumentando em 35% as alternativas terapêuticas disponíveis no SUS.

Quais são os nove medicamentos contra o câncer disponíveis no SUS?

Os medicamentos contemplam diferentes tipos e estágios da doença. Alguns são utilizados em tumores avançados ou metastáticos, quando o câncer se espalha para outras partes do corpo. Outros atendem pacientes que precisam de tratamento após determinados procedimentos ou em situações específicas de evolução da doença.

Confira a relação dos medicamentos e suas indicações previstas:

  • Trastuzumabe: tratamento de câncer de estômago ou da junção esofagogástrica, região entre o esôfago e o estômago.
  • Abemaciclibe: câncer de mama em estágio inicial, com características específicas, ou em estágio avançado ou metastático.
  • Acetato de lanreotida: tratamento de tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: câncer renal metastático de células claras.
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica em primeira linha de tratamento, linfoma folicular e linfoma difuso.
  • Abiraterona: câncer de próstata resistente à hormonioterapia, sem metástase ou com metástase, e câncer de próstata metastático sensível à hormonioterapia.
  • Gefitinibe: câncer de pulmão de células não pequenas em primeira linha de tratamento.
  • TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide em pacientes com indicação de tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: câncer renal metastático de células claras e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha do tratamento com imatinibe.

A disponibilização dos fármacos representa uma ampliação das opções terapêuticas para pacientes atendidos na rede pública. Entre os exemplos citados pelo Ministério da Saúde está o abemaciclibe, que pode custar R$ 366 mil na rede privada. O trastuzumabe, já utilizado no SUS para o câncer de mama, também passa a atender pacientes com câncer de estômago.

A previsão é que os tratamentos contribuam para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida. Algumas indicações também têm como objetivo reduzir o risco de retorno da doença após a cirurgia, mesmo quando não há sinais visíveis de tumor.

Quando os medicamentos chegam aos hospitais e quanto será investido?

A primeira etapa da oferta começa em 20 centros de tratamento oncológico distribuídos pelas cinco regiões brasileiras.

As unidades participantes estão localizadas em 17 estados e no Distrito Federal, contemplando serviços de São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins, Sergipe e no Distrito Federal.

A expansão para os demais centros está prevista até o fim de 2026.

Os serviços participantes contarão com equipes capacitadas e fluxos digitais integrados para solicitação, registro e acompanhamento dos tratamentos.

A compra dos nove medicamentos terá impacto anual estimado em R$ 155,4 milhões.

Para viabilizar a ampliação dos tratamentos, o Ministério da Saúde adotou diferentes estratégias de financiamento e aquisição. O governo federal assumiu diretamente a compra e a negociação de dez medicamentos do conjunto previsto, organizou uma ata de preços para outros nove, permitindo que os estados adquiram os produtos por valores menores, e ampliou os repasses para custear os quatro restantes.

O investimento total estimado para viabilizar a oferta dos 23 medicamentos é de R$ 4 bilhões por ano.

SUS também amplia rastreamento e diagnóstico do câncer

As mudanças na assistência oncológica incluem iniciativas voltadas à identificação precoce da doença e à melhoria dos serviços de diagnóstico.

Uma delas é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para rastreamento do câncer colorretal.

A implementação está prevista para começar em novembro, nas capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O exame será direcionado a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos. De forma semelhante a outros testes rápidos, ele identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal.

Um resultado positivo pode levar à indicação de colonoscopia para investigação e confirmação diagnóstica.

Com informações do Ministério da Saúde