Vacina personalizada de mRNA combinada ao Keytruda reduziu o risco de recorrência e disseminação do melanoma em estudo com mais de mil pacientes
Uma vacina personalizada contra o câncer desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck apresentou resultados promissores em pacientes com melanoma.
A saber, em um ensaio clínico de fase 3, a combinação de uma vacina de RNA mensageiro (mRNA) com o imunoterápico Keytruda reduziu o risco de recorrência e de disseminação da doença após a retirada cirúrgica do tumor.
Os resultados foram anunciados pelas duas farmacêuticas na quarta-feira (19), e reforçam a expectativa de que a tecnologia possa ser estudada também contra outros tipos de câncer.
Como funciona a vacina personalizada contra o câncer
A proposta da vacina é diferente da ação de tratamentos que atuam de maneira mais ampla sobre o organismo. Em vez de utilizar uma fórmula única para todos os pacientes, a tecnologia é desenvolvida a partir das mutações encontradas no tumor de cada pessoa.
O tratamento combina o Keytruda, imunoterápico da Merck, com uma vacina personalizada de mRNA chamada autogene intismerano.
A partir das características genéticas identificadas no câncer, a estratégia busca preparar o sistema imunológico para reconhecer essas alterações e atacar as células tumorais que apresentam essas características.
O mRNA funciona, nesse caso, como uma espécie de instrução para o organismo. A intenção é direcionar a resposta imunológica de forma mais específica contra o tumor.
Segundo Moderna e Merck, a combinação não apresentou novos efeitos colaterais relevantes quando comparada ao tratamento realizado somente com o Keytruda.
Estudo com mais de mil pacientes mostrou redução da recorrência
O ensaio clínico de fase 3 envolveu mais de mil pessoas com melanoma que haviam passado por cirurgia para retirada do tumor, mas ainda apresentavam risco elevado de que a doença voltasse.
Os resultados indicaram que a associação entre a vacina personalizada e o Keytruda atingiu os objetivos estabelecidos pelo estudo, diminuindo o risco de retorno e de disseminação do melanoma.
Os participantes continuarão sendo acompanhados pelos pesquisadores. Uma das questões que ainda será analisada é se a combinação também produz impacto sobre a sobrevida global dos pacientes.
Os novos dados também reforçam resultados obtidos anteriormente em um estudo de fase 2. Após cinco anos de acompanhamento, a combinação havia apresentado uma redução de 50% no risco de recorrência do melanoma e de 59% no risco de disseminação da doença, em comparação com o uso isolado do imunoterápico.
Para especialistas, os resultados ajudam a fortalecer a investigação de vacinas personalizadas como uma possível ferramenta no tratamento do câncer.
Pesquisas avaliam vacina contra outros tipos de câncer
Vale mencionar que o melanoma foi o primeiro foco dessa estratégia, mas não é o único tipo de tumor estudado pelas empresas. Moderna e Merck já realizam ensaios clínicos de fase avançada com pacientes que passaram por cirurgia para tratar câncer de pulmão de não pequenas células.
Também existem pesquisas em fase intermediária voltadas para câncer de bexiga e de rim. Estudos iniciais ainda investigam a possibilidade de aplicação da tecnologia em câncer de pâncreas e de estômago.
Segundo Stephen Hoge, presidente da Moderna, vários desses resultados devem ser divulgados nos próximos dois anos.
A tecnologia também vem sendo estudada por outras empresas. Roche e BioNTech desenvolvem uma vacina personalizada de mRNA chamada autogene cevumeran, que está em testes clínicos para pacientes com câncer colorretal e câncer de pâncreas após cirurgia.
A escolha inicial pelo melanoma está relacionada às características desse tipo de tumor.
De acordo com Elizabeth Buchbinder, especialista em melanoma do Mass General Brigham Cancer Institute, essas células costumam apresentar muitas mutações, o que pode facilitar seu reconhecimento pelo sistema imunológico treinado pela vacina.
Outros tipos de câncer também podem acumular grande quantidade de mutações. Por isso, os resultados obtidos com o melanoma servem de base para investigar se a mesma estratégia poderá funcionar em diferentes tumores.


























