Nova técnica é indicada para casos leves a moderados de glaucoma e permite tratar as duas condições na mesma cirurgia
O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer uma técnica cirúrgica que permite tratar glaucoma e catarata durante o mesmo procedimento.
A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).
A nova abordagem é destinada a pacientes com casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) e combina a remoção do cristalino com a desobstrução do canal responsável pela drenagem do líquido dentro do olho.
A decisão foi tomada após análise da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) e da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A deliberação favorável ocorreu em 21 de agosto.
Como funciona a nova cirurgia para glaucoma
Em resumo, o procedimento incorporado ao SUS reúne duas possibilidades cirúrgicas. Uma delas é a goniotomia excisional, realizada por meio de uma pequena incisão na córnea. A outra é a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter ou fio cirúrgico inserido no canal natural de drenagem do olho.
A proposta é melhorar o escoamento do líquido ocular e, consequentemente, contribuir para o controle da pressão dentro do olho. Quando essa pressão permanece elevada e a doença não é tratada, pode ocorrer comprometimento progressivo da visão.
A técnica também permite que a cirurgia de catarata seja realizada no mesmo momento. Nesse caso, o cristalino, estrutura que pode perder transparência com a catarata, é removido durante a intervenção.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, a nova abordagem é menos invasiva que algumas alternativas utilizadas atualmente. Entre os benefícios apontados estão uma recuperação mais rápida, menor risco de complicações e melhor controle da pressão intraocular.
A incorporação também representa uma mudança na linha de tratamento disponível no SUS para determinados pacientes com glaucoma.
O que muda no tratamento do glaucoma pelo SUS
Atualmente, o tratamento inicial do glaucoma na rede pública utiliza colírios para diminuir a pressão intraocular, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença.
Quando os medicamentos não produzem o resultado esperado ou há dificuldade para manter o uso regular, podem ser indicadas outras intervenções. Entre elas estão procedimentos a laser e cirurgias, como a implantação de um dispositivo de drenagem oftalmológico conhecido como iStent.
Com a nova incorporação, a técnica passa a integrar o PCDT do glaucoma. A medida permite ampliar as alternativas cirúrgicas para os casos de GPAA classificados como leves a moderados.
O estudo econômico apresentado pela Conitec também apontou diferença nos custos entre os procedimentos. Conforme o Relatório para Sociedade, a goniotomia excisional representa uma redução aproximada de R$ 18 mil para cada ano de vida saudável ganho em comparação com o iStent.
A estimativa é de uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano, chegando a R$ 93,2 milhões no quinto ano.
Considerando os cinco anos, a projeção indicada no documento é de R$ 276 milhões em economia com a substituição da cirurgia com iStent pela goniotomia excisional.
Glaucoma e catarata: entenda as doenças
O glaucoma é uma doença crônica que compromete o nervo óptico, responsável por levar as informações visuais do olho até o cérebro. A enfermidade causa perda progressiva de células da retina e pode reduzir gradualmente a visão periférica.
Existem dois tipos principais. O glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) tende a evoluir de maneira lenta e silenciosa e é a forma mais frequente no Brasil. Já o glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF) costuma apresentar evolução mais súbita e aguda.
De acordo com dados da Conitec, o glaucoma atinge até 3% dos brasileiros com mais de 40 anos. O GPAA corresponde a aproximadamente 60% dos diagnósticos no país.
A catarata, por sua vez, ocorre quando o cristalino perde sua transparência e fica opaco. Essa alteração reduz a capacidade visual e atinge principalmente a população idosa.
A possibilidade de tratar as duas condições em uma única intervenção amplia as opções cirúrgicas disponíveis para os pacientes que se enquadram nos critérios definidos para a nova técnica.
Com informações do Ministério da Saúde



























