
Maior aprovação simultânea de medicamentos com semaglutida reforça a oferta do tratamento no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida, substância utilizada principalmente no tratamento do diabetes e conhecida do público por integrar as chamadas “canetas emagrecedoras”.
A decisão representa a maior aprovação simultânea desse tipo de medicamento já realizada pelo órgão regulador e faz parte de um movimento para ampliar a oferta desses produtos no país.
A medida ocorre após o Ministério da Saúde solicitar prioridade na análise dos registros, com o objetivo de facilitar o acesso à tecnologia, incentivar a produção nacional e reunir informações que possam subsidiar uma futura avaliação sobre a oferta desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Cinco novos medicamentos ampliam oferta da semaglutida no Brasil
Os medicamentos aprovados pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, indicada para o tratamento de pessoas com diabetes.
A autorização da Anvisa amplia o número de opções disponíveis no mercado brasileiro e reforça a estratégia de acelerar a análise regulatória desses produtos.
Os cinco medicamentos registrados são:
- Owozy, da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.;
- Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil Ltda.;
- Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.;
- Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A.;
- Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica Ltda.
Entre eles, Zempneo e Semavy têm expectativa de produção em território nacional após a conclusão do processo de transferência de tecnologia para empresas brasileiras.
Como mencionado, esta é a maior quantidade de registros concedidos em uma única decisão pela Anvisa para medicamentos desse grupo.
Desde 2025, a agência também mantém um plano de ação para reduzir a fila de análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida.
O trabalho envolve a avaliação de estudos clínicos apresentados pelas empresas, análise da documentação técnica e inspeções nas linhas de fabricação estéreis. Apenas em 2026, já foram registrados oito medicamentos dessas classes.
Ministério da Saúde avalia uso da semaglutida no SUS
Enquanto a Anvisa amplia a oferta de medicamentos no mercado, o Ministério da Saúde desenvolve um estudo para analisar o uso da semaglutida na rede pública.
O projeto será realizado com pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. A proposta é acompanhar aproximadamente 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, que também apresentem indicação para cirurgia bariátrica.
Os dados obtidos servirão para avaliar a efetividade do tratamento e poderão contribuir para futuras decisões sobre a incorporação da tecnologia ao SUS.
Atualmente, os medicamentos da classe GLP-1 ainda não fazem parte da lista de tratamentos oferecidos pelo sistema público. O pedido para inclusão da semaglutida está em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Os primeiros resultados do estudo são esperados para 2027 e devem auxiliar na definição dos próximos passos relacionados à utilização desses medicamentos na rede pública.
Produção nacional pode ampliar oferta e estimular concorrência
Para concluir, outro efeito esperado com os novos registros é o fortalecimento da indústria farmacêutica brasileira.
A produção nacional é vista pelo Ministério da Saúde como um caminho para ampliar a disponibilidade desses medicamentos, reduzir a dependência de importações e estimular a concorrência entre fabricantes.
Atualmente, entre os medicamentos à base de semaglutida já registrados pela Anvisa, dois são produzidos no Brasil pelas empresas EMS e Germed Farmacêutica.
Com a perspectiva de fabricação nacional de novos produtos, a expectativa é ampliar a capacidade de abastecimento do mercado e criar condições para uma oferta mais diversificada.
Com informações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

























