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Endividamento das famílias bate recorde no Brasil e acende alerta sobre uso do crédito

Cartão de crédito segue como principal fonte de dívidas entre as famílias brasileiras
Cartão de crédito segue como principal fonte de dívidas entre as famílias brasileiras / Foto: Magnific

Com mais de 80% das famílias com dívidas, o Brasil registra o maior nível de endividamento desde o início da série histórica

Abrir o aplicativo do banco, conferir a fatura do cartão ou tentar encaixar mais uma conta no orçamento virou parte da rotina de muitas pessoas. Nos últimos anos, o tema das finanças passou a ocupar mais espaço nas conversas dentro e fora de casa. E os números ajudam a explicar esse cenário.

A saber, dados recentes mostram que o endividamento das famílias brasileiras chegou ao maior nível desde o início da série histórica da pesquisa que acompanha esse indicador.

Mais do que observar estatísticas, entender o que está acontecendo ajuda a perceber uma realidade que faz parte do dia a dia de boa parte da população.

Endividamento no Brasil aumentou nos últimos anos

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março de 2026. Trata-se do maior índice registrado desde 2010.

Durante muitos anos, os números ficaram em um patamar parecido. Porém, a partir de 2019, começou um crescimento que se manteve ao longo dos anos seguintes. Em pouco mais de seis anos, a parcela de famílias com algum tipo de compromisso financeiro aumentou de forma contínua.

É importante entender que ter uma dívida não significa, por si só, que existe um problema financeiro. Muitas pessoas utilizam crédito para comprar um imóvel, adquirir um veículo ou realizar algum projeto planejado.

O ponto que chama atenção no cenário atual é a finalidade dessas dívidas. Os dados mostram que uma parcela crescente da população tem recorrido ao crédito para complementar o orçamento do mês e cobrir gastos do cotidiano.

Nesse contexto, o cartão de crédito aparece como a modalidade mais utilizada. Hoje, ele está presente na maior parte das situações de endividamento observadas pela pesquisa.

Ao analisar esse movimento, especialistas observam que muitas famílias passaram a usar recursos que antes serviam para compras específicas como uma forma de ajudar nas despesas correntes. Assim, isso ajuda a explicar parte do avanço do endividamento no Brasil.

Juros mais altos aumentam o peso das dívidas das famílias brasileiras

Outro fator importante para compreender o cenário atual está ligado ao custo do crédito.

Nos últimos anos, as taxas de juros passaram por mudanças que impactaram diretamente quem depende de empréstimos, parcelamentos ou do uso frequente do cartão de crédito.

Dados do Banco Central (BC) mostram crescimento no número de pessoas que utilizam modalidades que cobram juros quando o pagamento não é feito de forma integral. Entre elas estão o crédito rotativo do cartão e o crédito pessoal sem desconto em folha.

Ao mesmo tempo, os juros médios cobrados das pessoas físicas aumentaram de forma significativa entre 2021 e 2026 (de 38,5% ao ano para 61%). Isso significa que uma dívida pode crescer mais rápido quando permanece aberta por muito tempo.

Dessa forma, essa situação acaba gerando um efeito conhecido por muitas famílias. Uma despesa feita para resolver uma necessidade imediata pode se transformar em uma obrigação difícil de quitar meses depois.

Na prática, o debate sobre o endividamento passou a envolver não apenas a quantidade de pessoas com dívidas, mas também as condições em que esses compromissos financeiros estão sendo assumidos.

Inadimplência no Brasil

Para concluir, vale mencionar que segundo informações do Serasa, o Brasil possui atualmente 82,8 milhões de pessoas inadimplentes. Isso representa mais da metade da população adulta do país.

Outro dado que ajuda a entender a situação é o valor médio das dívidas. Cada consumidor nessa condição possui, em média, mais de quatro pendências financeiras, envolvendo principalmente instituições financeiras e contas de consumo.

Além disso, a dívida média por pessoa chega a R$ 6.728,51. Em suma, esses números mostram que muitas famílias convivem com diferentes compromissos financeiros ao mesmo tempo, o que pode tornar a organização do orçamento uma tarefa cada vez mais difícil.

Diante desse quadro, os dados reforçam a importância de acompanhar a evolução do endividamento no Brasil e compreender os fatores que têm levado milhões de pessoas a recorrer cada vez mais ao crédito para equilibrar as despesas do dia a dia.

Com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)