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Goiânia amplia rede de saúde com novas unidades, telemedicina e reforço da atenção primária

Secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizer: ampliação e modernização do atendimento à população – (Foto/Divulgação)

O secretário Luiz Pellizzer destacou, em entrevista, a construção de oito novas unidades de urgência, criação do Pafus e reorganização do atendimento para reduzir pressão em UPAs e Cais

O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizer, destacou que a rede municipal de saúde de Goiânia passa por um processo de reestruturação que visa a ampliação da infraestrutura, o fortalecimento da atenção primária e a modernização do atendimento à população. A fala ocorreu nesta segunda-feira (11/5) no quadro Jackson Abrão Entrevista, do jornal O Popular. Segundo o titular da SMS, a atual gestão encontrou uma rede defasada estruturalmente e sem grandes inaugurações desde 2021.

“A maioria, 70% das nossas unidades de urgência, foram construídas entre 1988 e 1992. A gente tem como exceção, de construções mais novas, apenas a UPA Itaipu, a UPA Noroeste e o Cais Campinas, que são de 2008. Então é uma rede que por muito tempo não acompanhou o tamanho da população e o nosso grande desafio desse ano é estrutural”, detalhou Luiz Pellizer.

Apesar disso, segundo o secretário, a rede vem ampliando significativamente sua capacidade de atendimento. “Conseguimos fazer 107 mil atendimentos em emergência em abril de 2025. No mesmo período deste ano chegamos a 136 mil atendimentos”, afirmou.

Para recompor a estrutura da rede, a Prefeitura de Goiânia prevê a construção de oito novas unidades de urgência e emergência, com distribuição em todos os distritos sanitários da capital. A Região Noroeste, por concentrar maior densidade populacional, deverá receber duas unidades. Também é projetada a construção de uma policlínica, a entrega de seis novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e planejamento para até 35 novas Unidades Básicas de Saúde.

Outro eixo estratégico é a implantação da telemedicina, cujo processo licitatório deve ocorrer nos próximos 45 dias. A proposta é oferecer uma triagem médica remota para orientar pacientes sobre a necessidade, ou não, de procurar uma unidade de urgência. De acordo com Pellizzer, atualmente 78% dos atendimentos realizados na rede de urgência são classificados como de menor complexidade e poderiam ser resolvidos na atenção primária ou por meio de teleatendimento. “A gente tem uma atenção primária com mais de 60% de taxa de ociosidade e uma urgência sobrecarregada com casos que não são urgência”, explicou.

A meta é reorganizar o fluxo de pacientes e reduzir a sobrecarga nas UPAs e Cais, direcionando casos menos graves para as unidades básicas de saúde. A SMS também estuda ampliar a oferta de exames laboratoriais na atenção primária e implantar um laboratório municipal para agilizar diagnósticos específicos.

Na área pediátrica, o secretário lembrou que a gestão descentralizou o atendimento infantil de urgência, que anteriormente estava concentrado em poucas unidades. Atualmente, toda a rede urgência realiza atendimento infantil. “Nós temos um edital de credenciamento aberto para pediatras, para substituir esse atendimento infantil. Contudo, o que a gente observa é uma baixa adesão dos colegas da pediatria”.

Pafus

Entre as iniciativas voltadas à melhoria estrutural das unidades está o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus). Inspirado em modelo já utilizado na Educação, o programa permitirá que as próprias unidades realizem pequenas manutenções e reparos com recursos descentralizados. A proposta contempla 117 unidades, que passarão a receber recursos do Fundo Municipal de Saúde diretamente em contas próprias, com autonomia para administrar despesas como manutenção predial, materiais de escritório e serviços de limpeza e higiene.

O programa prevê a criação de uma comissão em cada unidade para definição de prioridades e acompanhamento dos gastos, com participação de representantes da sociedade e dos trabalhadores, fortalecendo o controle social e a transparência. “A própria comissão local vai poder trocar lâmpada, trocar porta, pintar uma parede, reforçar uma telha, reformar mobiliário deteriorado. Isso vai trazer vitalidade e acelerar melhorias estruturais”, destacou o secretário.