
Tucano enfrenta polêmicas recentes e do passado, o que deve motivar questionamentos por parte do eleitor durante a campanha eleitoral
O convite para prestar esclarecimento na CPI do Jockey Club de São Paulo e os pagamentos recebidos pela empresa MV Projetos e Consultoria, oriundos do Banco Master, acenderam de vez a luz vermelha na campanha do candidato ao Governo de Goiás do PSDB, Marconi Perillo.
Os dois episódios se somam a uma sequência de problemas judiciais e investigações do passado que marcaram a trajetória política do ex-governador. Além disso, Marconi enfrenta logo no início da campanha eleitoral o índice de 46% de rejeição do eleitorado goiano, como aponta a última pesquisa Genial/Quaest.
Essas polêmicas recentes e do passado devem voltar à tona do debate eleitoral e ser alvo de questionamentos de adversários e eleitores durante a campanha eleitoral, que se inicia no próximo dia 16 de agosto.
CPI do Jockey Club
O caso mais recente envolve o convite para prestar esclarecimentos à CPI do Jockey Club de São Paulo, que apura suspeitas de irregularidades na aplicação de parte dos R$ 83,6 milhões captados para a restauração da sede histórica da instituição. Sócio do clube desde 2019 e integrante do Conselho de Administração desde 2022, o candidato tucano pode ter que responder aos questionamentos dos eleitores em plena campanha pelo Palácio das Esmeraldas, quando também voltam ao debate outros casos nos quais seu nome apareceu ao longo dos últimos anos.
A investigação sobre o Jockey Club analisa recursos obtidos por duas frentes: R$ 22,4 milhões pela Lei Rouanet e R$ 61,2 milhões pelo programa municipal de Transferência do Direito de Construir (TDC). Entre os pontos sob apuração estão notas fiscais que teriam sido emitidas em duplicidade, pagamentos a empresas cuja capacidade operacional e documentação estão sendo questionadas e despesas que, segundo a investigação, podem não ter relação com as obras de restauração. Também aparecem entre os gastos analisados despesas com restaurantes, vinhos, hotéis e farmácias. Uma das frentes chega a Goiás: uma construtora de Goiânia teria recebido R$ 11,2 milhões, e sua estrutura e atuação estão entre os pontos examinados pela apuração.
Banco Master
Outro episódio que pode acompanhar Marconi na campanha envolve sua empresa, a MV Projetos e Consultoria. Documentos fiscais encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado registram que a empresa recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. As informações vieram a público em abril deste ano. Na ocasião, Marconi afirmou que recebeu os valores “de forma lícita, transparente e com dignidade como consultor de algumas empresas”.
O assunto ganhou repercussão porque coincidiu com o período em que o patrimônio declarado por Marconi à Justiça Eleitoral aumentou. Conforme os dados apresentados pelo próprio candidato, os bens passaram de R$ 7,3 milhões, em 2022, para R$ 11,8 milhões, em 2026, acréscimo de R$ 4,5 milhões, ou cerca de 62%. Os pagamentos ocorreram no mesmo intervalo em que houve aumento do patrimônio declarado pelo tucano.
Cash Delivery
Em outubro de 2018, depois de deixar o Governo de Goiás, o tucano foi preso preventivamente durante a Operação Cash Delivery, da Polícia Federal, enquanto prestava depoimento. A apuração teve origem em delações de executivos da Odebrecht e investigava suspeitas de pagamento de propina em campanhas eleitorais. Segundo a investigação, delatores apontaram pagamentos de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014. Marconi negou as acusações e deixou a prisão no dia seguinte após habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Em 2022, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a nulidade dos atos da Operação Cash Delivery e determinou a liberação dos bens que haviam sido bloqueados durante a investigação.
Panaceia
Em 2025, o nome do ex-governador voltou a ser destaque em uma apuração de irregularidades da Polícia Federal. Na Operação Panaceia, foram cumpridos mandados de busca e apreensão dentro de uma investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos destinados à saúde entre 2012 e 2018, período que abrange seus mandatos no Governo de Goiás. A apuração incluiu medidas judiciais de bloqueio patrimonial contra investigados. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a investigação em relação ao ex-governador.
Caixa 2
Há ainda um episódio que chegou à condenação na Justiça Eleitoral. Em 2020, Marconi foi condenado em primeira instância por falsidade ideológica eleitoral, o chamado caixa 2, relacionado à campanha ao Senado de 2006. A pena de um ano e oito meses de reclusão foi substituída por prestação de serviços comunitários e multa. Em agosto de 2021, o TRE-GO manteve a condenação, mas reconheceu que a pena havia prescrito em razão do tempo transcorrido desde a denúncia.

























