
Após quatro mandatos marcados por temporários e modelos derrubados pela Justiça, tucano apresenta propostas para ampliar efetivo e valorizar policiais
Criador de modelos como o soldado de 3ª classe e responsável por recorrer a contratações temporárias para preencher vagas na segurança pública, o ex-governador e candidato Marconi Perillo (PSDB) agora tenta se apresentar ao eleitorado como capaz de revolucionar o setor em Goiás. Na tentativa de retornar ao Palácio das Esmeraldas, o tucano colocou a segurança entre os principais temas de sua campanha e passou a defender ampliação do efetivo, valorização profissional e reforço da estrutura das forças policiais. O discurso, porém, contrasta com decisões adotadas durante os quase 16 anos em que comandou o Estado, período em que Goiás registrou crescimento expressivo dos índices de homicídios e de criminalidade em diferentes momentos e no qual sua gestão recorreu a medidas emergenciais e soluções temporárias para tentar suprir a falta de efetivo e conter o avanço da criminalidade.
O histórico expõe uma contradição entre as promessas atuais e as políticas adotadas em seus quatro mandatos. Um dos exemplos foi a criação do Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), em 2012, que permitiu a utilização de reservistas das Forças Armadas no policiamento ostensivo. Os integrantes do Simve recebiam na época R$ 939,33 por mês durante o curso de formação e R$ 1.341,90 por mês após a conclusão do curso, na condição de soldado de 3ª classe. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o modelo inconstitucional por unanimidade, levando ao desligamento de cerca de 2,5 mil temporários que atuavam na segurança pública goiana.
A política de vínculos temporários também chegou ao sistema prisional, por meio dos Vigilantes Penitenciários Temporários (VPTs), modelo que foi alvo de questionamentos do Ministério Público e da Justiça. Outro símbolo daquele período foi a criação do soldado de 3ª classe, uma subcarreira dentro da Polícia Militar que estabelecia remuneração inferior para profissionais submetidos às mesmas atribuições e riscos dos demais policiais. A medida provocou desgaste e acabou posteriormente extinta pelo Estado.
É justamente diante desse retrospecto que Marconi tenta agora construir uma nova imagem para a segurança pública. Após quatro mandatos à frente do governo estadual, Marconi apresenta propostas voltadas à ampliação do efetivo e à valorização das corporações. O discurso ganha ainda mais contraste diante dos indicadores registrados a partir de 2019, período em que o Estado ampliou investimentos, modernizou equipamentos, renovou a frota e fortaleceu as corporações.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apontam Goiás entre os estados com resultados de destaque em diferentes indicadores de criminalidade, após quedas expressivas nos índices de violência nos últimos anos. Os números tornam a segurança um terreno especialmente delicado para a estratégia eleitoral de Marconi, já que permitem uma comparação direta entre os períodos de governo.
Ao transformar a segurança em uma das principais vitrines de sua tentativa de voltar ao Palácio das Esmeraldas, Marconi acaba colocando o próprio passado no centro do debate. Depois de quase 16 anos no comando do Estado, a questão que acompanha suas novas promessas é inevitável: O contraste entre as propostas atuais e as políticas adotadas durante seus governos.

























