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El Niño tem mais de 90% de chance de ser muito forte entre setembro e novembro; veja a previsão

Previsão aponta para um El Niño de forte intensidade entre setembro e novembro
Previsão aponta para um El Niño de forte intensidade entre setembro e novembro / Foto: Magnific

Previsão indica mudanças no regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do Brasil

O El Niño em 2026 deve ganhar força durante a primavera. Segundo as previsões mais recentes da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), divulgadas no início de agosto, existe mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno seja classificado como muito forte no trimestre de setembro, outubro e novembro.

Assim, a condição deve alterar o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do Brasil.

O alerta faz parte do Boletim nº 3 sobre o monitoramento do El Niño no país, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em conjunto com outros órgãos federais e instituições de pesquisa.

São eles: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

A saber, a previsão indica um cenário bastante diferente entre as regiões brasileiras. Enquanto áreas do Sul podem registrar chuva acima da média, partes do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste tendem a enfrentar um período mais seco.

El Niño deve provocar diferenças no volume de chuva pelo Brasil

A distribuição das chuvas durante o trimestre deve ser marcada por contrastes.

No Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, a tendência é de volumes superiores à média histórica. Parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul também aparece entre as áreas com maior probabilidade de receber mais chuva que o normal.

Em sentido contrário, Norte e Nordeste têm indicação de um trimestre mais seco.

No Brasil Central e em áreas do Sudeste, a previsão também aponta para precipitações abaixo da média.

Entre as áreas citadas estão Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.

As temperaturas, entretanto, apresentam uma tendência mais abrangente. A expectativa é de que fiquem acima da média em praticamente todo o Brasil durante o período.

No entanto, isso não significa que o frio estará completamente afastado. Inclusive, os meteorologistas ainda consideram possíveis quedas bruscas de temperatura em setembro devido à entrada de massas de ar frio.

Calor e estiagem aumentam atenção para queimadas

A combinação entre temperaturas elevadas e períodos prolongados de pouca chuva preocupa principalmente as áreas das regiões central e norte do país.

De acordo com o boletim, esse conjunto de condições pode favorecer a propagação de queimadas.

O risco tende a permanecer maior caso o início da estação chuvosa sofra atraso, possibilidade considerada provável nas áreas afetadas pela estiagem.

Na Amazônia Legal e no Pantanal, o trimestre entre setembro e novembro normalmente representa uma fase de transição entre o período seco e a temporada de chuvas. Com um El Niño mais intenso e prolongado, essa mudança pode demorar mais para acontecer.

A projeção do Censipam indica chuva abaixo da média em estados e áreas que incluem Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso e partes de Tocantins e Rondônia.

As temperaturas acima da média também são esperadas em toda a região.

Na prática, a combinação pode prolongar as condições de estiagem durante parte da primavera. Com o solo mais seco e a vegetação vulnerável por mais tempo, o potencial de propagação do fogo também aumenta.

Fenômeno exige acompanhamento das condições meteorológicas

Cabe destacar que a intensidade do El Niño não determina, sozinha, que seus impactos serão necessariamente mais graves.

Pesquisadores da NOAA alertam que eventos mais fortes aumentam a probabilidade de ocorrência de efeitos significativos, mas não significam automaticamente que eles serão mais severos.

Por isso, o monitoramento das condições meteorológicas deve continuar nas próximas semanas. O acompanhamento é feito tanto para períodos de curto prazo quanto para as tendências sazonais.

A atenção se volta principalmente para áreas que podem enfrentar seca e ondas de calor, mas também para situações opostas.

No Sul do país, onde a previsão aponta para volumes de chuva acima da média, existe preocupação com a possibilidade de episódios de chuva intensa e inundações.

O cenário previsto para setembro, outubro e novembro mostra como a atuação do El Niño pode produzir efeitos diferentes dentro do território brasileiro.

Com a possibilidade de um evento muito forte, o acompanhamento das previsões será fundamental para identificar antecipadamente as áreas mais vulneráveis às mudanças no tempo ao longo da primavera.

Com informações do Instituto Nacional de Meteorologia