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MP investiga abusos sexuais contra mulheres em centro espírita no Jardim Guanabara, em Goiânia

Local onde funcionava o centro espírita no Jardim Guanabara. Em cima, a fachada antiga. Em baixo, como está hoje – (Foto MPGO/Divulgação)

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado na capital, entre eles a sede da comunidade religiosa

O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou na manhã desta terça-feira (27/10) operação para apurar crimes contra a dignidade sexual em tese praticados por ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada no Jardim Guanabara II, em Goiânia.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão expedidos pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia. Os mandados atingiram endereços ligados ao investigado na capital, entre eles a sede da comunidade espírita.

A operação foi deflagrada pela força-tarefa instituída pela Procuradoria-Geral de Justiça, em atuação conjunta com a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).

Atendendo pedido do Ministério Público, a Justiça também autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e impôs ao investigado medidas cautelares diversas da prisão. Entre essas medidas estão a obrigação de comparecer mensalmente em juízo e a proibição de acessar e frequentar a sede da entidade, inclusive nas atividades e eventos que ela promova em outros endereços.

Notícia-crime de uma integrante

A investigação começou com a notícia-crime de uma integrante da comunidade e tramita como Procedimento Investigatório Criminal (PIC), sob sigilo. Segundo o que já foi apurado, o investigado teria usado a manipulação da fé e a posição de autoridade espiritual para submeter mulheres assistidas pela instituição a condutas que, em tese, configuram crimes contra a dignidade sexual, entre eles a violação sexual mediante fraude (artigo 215 do Código Penal).

Há também indícios de que ele divulgou a terceiros, sem consentimento, fotografias e vídeos íntimos de uma das vítimas. Essa conduta configura o crime previsto no artigo 218-C do Código Penal.

As diligências do Navita indicam que outras mulheres podem ter sido vitimadas no mesmo contexto institucional.  Há ainda indícios de que o investigado explorou a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da entidade, usando o fornecimento de cestas básicas como contrapartida para obter material de conteúdo sexual.

Em julho deste ano, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência da comunidade. A sede está temporariamente fechada e sob nova administração.

Santa Helena de Goiás

A investigação recebeu notícia de que ele estaria desenvolvendo atividades religiosas no município de Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita. Isso reforçou o receio de que ele volte a usar a liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.

Como procurar o Ministério Público de Goiás

Vítimas de condutas do investigado ou pessoas que disponham de informações relevantes sobre os fatos podem entrar em contato com o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita) do MPGO por telefone, WhatsApp, e-mail ou presencialmente:

•       Telefones: (62) 3243-5119 / 3243-8161 / 3243-8120

•       Celular e WhatsApp: (62) 99428-7362

•       E-mail: [email protected]

•       Atendimento presencial: Edifício-sede do MPGO, Sala T-22, Ala B (Navita/Ascom MPGO)