
Equipes de resgate buscam sobreviventes após terremoto de magnitude 7,1 que deixou mortos, desaparecidos e graves danos na província de Kumamoto
Um forte terremoto de magnitude 7,1 atingiu o sul do Japão e desencadeou uma grande operação de resgate na província de Kumamoto.
O desastre ocorreu na madrugada desta terça-feira (28) e provocou mortes, deixou pessoas desaparecidas, interrompeu serviços essenciais e causou danos significativos em edifícios, estradas e fábricas.
Enquanto milhares de moradores permanecem em alerta para novos tremores, equipes de emergência seguem trabalhando contra o tempo para localizar sobreviventes.
Resgate concentra esforços em shopping parcialmente destruído
O ponto mais crítico da operação está em um shopping center localizado nas proximidades da cidade de Kumamoto. O edifício sofreu uma explosão cerca de uma hora após o terremoto e teve parte de sua estrutura destruída.
Até o momento, oito pessoas foram retiradas dos escombros, mas três delas não resistiram aos ferimentos.
A administradora do empreendimento informou que, após a conferência dos aproximadamente 2.700 funcionários, quatro trabalhadores continuavam desaparecidos. Os clientes já haviam deixado o local logo depois do primeiro tremor.
As causas da explosão ainda são investigadas. Segundo o governo japonês, equipes que atuam no local perceberam cheiro de gás dentro do prédio, hipótese que faz parte das apurações.
A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que o resgate é prioridade absoluta e garantiu que todos os recursos disponíveis estão sendo empregados para ampliar as chances de encontrar sobreviventes.
Além das vítimas fatais, as autoridades informaram que cinco pessoas estavam em parada cardiorrespiratória e outras oito sofreram ferimentos graves.
Hospitais da região também passaram a atender dezenas de pacientes com diferentes tipos de lesões.
Os trabalhos de busca mobilizam bombeiros, policiais e militares. Somente nas áreas mais afetadas do shopping, cerca de 170 integrantes das forças de segurança atuam nas escavações, enquanto mais de 4.500 soldados foram deslocados para auxiliar na resposta ao desastre em toda a região.
Danos atingem cidades, infraestrutura e deixam milhares sem energia
O terremoto teve epicentro aproximadamente 20 quilômetros ao sul de Kumamoto, cidade com cerca de 700 mil habitantes. Desde o abalo principal, mais de 100 réplicas foram registradas.
A província enfrenta diversos impactos. Aproximadamente 260 mil moradores receberam orientação para buscar centros de evacuação devido ao risco de novos tremores.
Na cidade de Yatsushiro, uma das mais atingidas, casas perderam parte dos telhados, edifícios sofreram desabamentos e várias vias apresentaram rachaduras e deformações, dificultando o acesso às áreas afetadas. Uma ponte sobre o rio Kumagawa também desabou parcialmente.
Os serviços de emergência receberam 386 chamadas logo após o terremoto, incluindo pedidos de socorro e relatos de desabamentos.
As autoridades alertam que novos tremores de forte intensidade podem ocorrer ao longo da próxima semana.
Também existe preocupação com possíveis deslizamentos de terra, principalmente em áreas mais vulneráveis. Em alguns pontos da região, a intensidade sísmica chegou ao nível máximo 7 na escala japonesa.
Outro desafio enfrentado pelas equipes é a falta de energia elétrica. Mais de 36 mil residências permaneciam sem fornecimento de eletricidade, justamente em um período de temperaturas próximas de 34°C.
A Defesa Civil japonesa orientou a população sobre os riscos de insolação e exaustão provocadas pelo calor.
Hospitais e indústrias sofrem impactos após o terremoto
A rede de saúde também enfrenta dificuldades para manter os atendimentos.
Um hospital localizado na cidade de Uki ficou sem energia e precisou funcionar de forma improvisada, semelhante a um hospital de campanha. Outra unidade suspendeu novas internações após receber 86 feridos, entre eles três pacientes em estado grave.
O sistema ferroviário foi afetado pelo terremoto. Passageiros de trens de alta velocidade ficaram feridos durante o abalo, e a circulação foi interrompida imediatamente como medida de segurança.
Os reflexos do desastre também alcançaram o setor industrial. Empresas como Renesas Electronics, Sony, Tokyo Electron e Honda interromperam temporariamente suas operações na região. A Toyota anunciou a paralisação da produção em três fábricas localizadas fora da província de Kumamoto devido aos impactos sofridos por fornecedores.
Já a TSMC informou que retirou preventivamente seus funcionários da fábrica instalada na região durante o terremoto, mas iniciou uma retomada gradual das atividades ainda na noite de terça-feira.
Outro acidente registrado ocorreu em uma fábrica da Nippon Paper Industries, onde o desabamento de uma chaminé deixou sete pessoas desaparecidas e quatro gravemente feridas.
Além das estruturas comerciais e industriais, edifícios históricos também sofreram danos. Entre eles está o tradicional castelo de Kumamoto, que já havia sido atingido por um terremoto devastador há dez anos. Santuários com telhados de cerâmica e uma casa de chá construída no século XII também registraram desabamentos parciais.

























