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Governo terá que cortar despesas para fechar as contas em 2027, aponta relatório da IFI

IFI prevê necessidade de congelar R$ 35,7 bilhões em despesas em 2027
IFI prevê necessidade de congelar R$ 35,7 bilhões em despesas em 2027 / Foto: Pixabay

IFI estima déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027 e prevê congelamento de pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas

O governo federal pode precisar congelar pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas ao longo de 2027 para tentar cumprir a meta fiscal prevista no projeto do Orçamento. A avaliação é da Instituição Fiscal Independente (IFI), que aponta dificuldades para alcançar o resultado primário estabelecido para o próximo ano.

A análise faz parte do mais recente relatório de acompanhamento fiscal da instituição, que examinou as projeções apresentadas no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027.

Segundo os cálculos da IFI, a previsão oficial de superávit de R$ 18,6 bilhões não deve se confirmar.

A estimativa da instituição aponta, na direção contrária, para um déficit primário de R$ 86,1 bilhões. Por isso, o congelamento de despesas seria necessário para que o governo tente cumprir formalmente a meta estabelecida no Orçamento.

Dívida pública e juros pressionam as contas

Um dos fatores que dificultam o equilíbrio das contas públicas é o nível dos juros, que permanece elevado. De acordo com a IFI, o aumento da dívida pública contribui para manter os juros em patamares altos. Com isso, os próprios juros aumentam o custo da dívida e dificultam ainda mais a situação fiscal.

Atualmente, a dívida do setor público corresponde a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção da IFI é que esse percentual chegue a 86,4% até o fim de 2027.

O impacto não fica restrito às contas do governo. Juros elevados também aumentam o custo de diferentes modalidades de crédito utilizadas pela população, como financiamento imobiliário, cartão de crédito e crédito consignado.

Para reduzir despesas, entretanto, o governo encontra limitações. Segundo a avaliação da IFI, o avanço das despesas obrigatórias restringe o espaço disponível no Orçamento para cortes.

Na prática, quando os recursos ficam mais apertados, despesas com obras, investimentos e serviços públicos podem ser atingidas. A instituição cita o contingenciamento realizado em 2026 e avalia que uma medida semelhante deverá ocorrer em 2027.

Crescimento menor do PIB também preocupa

As projeções para a economia também entram na análise da IFI. O governo federal trabalha com uma estimativa de crescimento de 2,5% do PIB em 2027, mas a instituição considera que esse resultado não deve ser alcançado.

A projeção da IFI é de crescimento de 1,8% no próximo ano. Uma expansão menor da economia pode ter reflexos sobre a geração de emprego e renda e também sobre a arrecadação, dificultando o cumprimento das metas fiscais.

É nesse cenário que aparece a necessidade de revisar o ritmo das despesas. O relatório considera que o governo terá de lidar simultaneamente com o aumento da dívida, os juros elevados, as limitações para reduzir gastos obrigatórios e um crescimento econômico abaixo da previsão oficial.

Programas sociais estão previstos no Orçamento

Apesar da necessidade de contenção de despesas, os principais programas sociais e de transferência de renda do Poder Executivo estão contemplados no projeto do Orçamento de 2027, segundo a IFI.

O Bolsa Família tem previsão de R$ 157,1 bilhões para o próximo ano. Para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), estão previstos R$ 145,1 bilhões.

Já as despesas com abono salarial e seguro-desemprego devem somar R$ 104,7 bilhões. O projeto também reserva R$ 10,5 bilhões para o pagamento do Pé-de-Meia, programa voltado a estudantes do ensino médio público.

O Orçamento de 2027 inclui ainda despesas relacionadas ao novo salário-paternidade, que começa a valer em 1º de janeiro, e à ampliação do salário-maternidade para trabalhadoras autônomas e rurais.

Outra despesa prevista é o pagamento de precatórios, que deve consumir R$ 97,7 bilhões. O valor representa uma redução de R$ 24,6 bilhões em relação ao previsto para 2026.

O projeto da Lei Orçamentária de 2027 foi encaminhado pelo governo federal ao Congresso em agosto e ainda será analisado pelos parlamentares.

Criada no âmbito do Senado em 2016, a Instituição Fiscal Independente acompanha as contas públicas, avalia o cenário fiscal e orçamentário e calcula os possíveis impactos de medidas econômicas. Seus relatórios de acompanhamento fiscal são divulgados mensalmente.

Com informações da Agência Senado