
Ex-secretário de Ciência e Tecnologia de Goiás, Adriano Rocha Lima, participou da audiência e destacou janela curta para o País entrar na corrida global
O senador Vanderlan Cardoso presidiu nesta terça-feira (15) mais uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado para discutir a regulamentação dos data centers de inteligência artificial no País, no âmbito do Projeto de Lei nº 3.018/2024, de autoria do senador Styvenson Valentim. Foi o terceiro encontro sobre o tema, consolidando um ciclo de debates que tem colocado em evidência a urgência de o Brasil estruturar um marco regulatório capaz de atrair investimentos e evitar atraso em um setor considerado estratégico.
Vanderlan destacou que o Brasil está tem uma grande oportunidade de se tornar referência em data centers, mas precisa agir rápido. “Como dizemos no estado de Goiás, estamos vendo o cavalo passar arreado. Precisamos aproveitar a oportunidade e subir no cavalo. O Brasil pode ser protagonista nesse processo de implantação de data centers”, explicou o senador.
Ao longo das discussões, especialistas e representantes do setor produtivo convergiram em um diagnóstico: o Brasil reúne condições competitivas, sobretudo em energia limpa, mas ainda carece de segurança jurídica e coordenação institucional para transformar potencial em protagonismo. A audiência reuniu nomes como Gisele Santos, Diretora de Infraestrutura de Data Center da Everest Digital, Camila Ramos, vice-presidente da Absolar, Carlos Felipe Farias, vice-presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), Ronaldo Lemos, cientista Chefe do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), e Paulo Pedrosa, presidente Executivo da Abrace.
Na avaliação de Pedrosa, a regulação nos próximos meses será decisiva para o posicionamento do País. “Data centers de IA vão redefinir soberania, economia e ambiente no Brasil. A forma como o Brasil regular essa infraestrutura nos próximos 18 meses decidirá se o País lidera ou segue atrás na corrida global da inteligência artificial”, afirmou. Ele alertou ainda que uma regulação fragmentada pode dissipar vantagens competitivas relevantes, especialmente no campo energético.
O potencial de expansão também foi destacado por Gisele Santos, que apontou um ciclo acelerado de crescimento do setor. Segundo ela, há estimativas de até R$ 500 bilhões em investimentos até 2030, impulsionados pela demanda por processamento de dados e inteligência artificial. “O Brasil pode se consolidar como o principal polo de infraestrutura digital sustentável da América Latina”, disse, ao destacar a combinação de energia limpa, custo competitivo e ambiente regulatório como fatores determinantes para atrair grandes operadores globais.
A audiência também trouxe uma dimensão regional ao debate. Em participação remota, o ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia de Goiás, Adriano Rocha Lima destacou a experiência de Goiás na antecipação de tendências tecnológicas, com a criação do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).
O projeto, que recebeu investimento inicial de R$ 12 milhões, viabilizou o primeiro curso de graduação em IA do País e já atraiu cerca de R$ 50 milhões em projetos com o setor privado. Para Adriano, o Brasil enfrenta uma “janela de oportunidade curta” em um cenário geopolítico cada vez mais influenciado por tecnologia, energia e minerais estratégicos. Relator da proposta, Vanderlan tem adotado um tom de cobrança por maior pragmatismo no debate. Durante a audiência, criticou o que classificou como excesso de polarização e atuação voltada a repercussão em redes sociais, em detrimento de agendas estruturantes. “É preciso separar o que é debate eleitoral do que é trabalho para o País”, afirmou. Ao mencionar o histórico de Goiás, o senador reforçou que o Estado já desponta também na área de tecnologia, sinalizando que iniciativas locais podem servir de base para uma estratégia nacional mais ampla.

























