
Surto de hantavírus em navio chama atenção após mortes e monitoramento de passageiros durante a viagem
Uma viagem de cruzeiro que cruzava o Atlântico virou motivo de alerta depois da confirmação de casos de hantavírus entre pessoas a bordo do navio MV Hondius.
O surto chamou atenção de autoridades de saúde e também de passageiros que acompanhavam a situação durante a parada perto de Cabo Verde.
Até agora, 3 mortes foram registradas e outros suspeitos seguem sob investigação, com a confirmação de mais 2 casos.
A saber, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o risco para a população segue baixo.
Como o hantavírus é transmitido
O hantavírus costuma estar ligado a roedores silvestres. Em suma, a transmissão acontece quando partículas presentes na urina, saliva ou fezes desses animais ficam no ar e são inaladas por pessoas. Isso pode ocorrer em locais fechados, como galpões, depósitos, cabanas e áreas pouco ventiladas.
Em muitos casos, a pessoa nem percebe o contato com o ambiente contaminado. Por isso, especialistas orientam cuidado durante limpezas em espaços fechados que ficaram muito tempo sem uso. Inclusive, mexer em poeira acumulada pode facilitar a circulação das partículas no ar.
No caso do navio, as autoridades investigam como ocorreu a contaminação entre os passageiros e tripulantes.
A cepa encontrada em pacientes confirmados foi a Andes, conhecida por registros raros de transmissão entre pessoas. Esse tipo já apareceu antes em países da América do Sul, como Argentina e Chile.
Mesmo com esse histórico, a transmissão entre humanos ainda é considerada incomum. A maior parte das infecções por hantavírus continua ligada ao contato indireto com roedores contaminados.
Sintomas que podem aparecer após a infecção
Os sinais do hantavírus podem surgir entre uma e oito semanas depois da infecção.
No começo, os sintomas lembram gripe. Assim, muitas pessoas apresentam febre, dor no corpo, cansaço, dor de cabeça, calafrios e tontura. Além disso, também podem ocorrer náusea, vômito e dor abdominal.
Esse início parecido com outras doenças costuma dificultar a identificação rápida do problema. Por isso, médicos observam o histórico do paciente, principalmente quando houve contato com áreas rurais, depósitos ou locais com presença de roedores.
Com o avanço da doença, o quadro pode atingir os pulmões. A pessoa pode sentir falta de ar e apresentar dificuldade para respirar. Em alguns casos, surgem problemas cardíacos e insuficiência pulmonar.
Ainda não existe um tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento médico busca aliviar os sintomas e acompanhar o funcionamento do organismo.
Dessa forma, repouso, hidratação e suporte hospitalar fazem parte dos cuidados usados durante o tratamento.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de mil casos confirmados de hantavírus entre 2007 e 2024. As ocorrências aparecem mais em áreas rurais.
O que o caso do navio mostra sobre prevenção
A sequência de casos no navio começou ainda no início da viagem, após a saída de Ushuaia, no sul da Argentina.
Dias depois da partida, um passageiro passou mal durante o trajeto e morreu antes do fim da travessia. Mais tarde, a esposa dele também apresentou sintomas relacionados ao hantavírus e acabou sendo levada para tratamento fora da embarcação.
Com o passar dos dias, outros passageiros apresentaram sinais da doença. Uma turista morreu dentro do navio e outro passageiro precisou ser transferido para atendimento médico na África do Sul, onde segue internado.
Enquanto isso, equipes de saúde acompanharam pessoas que tiveram contato com os casos confirmados.
Quando a embarcação chegou perto de Cabo Verde, o desembarque dos passageiros não foi autorizado pelas autoridades locais.
Depois dessa decisão, o navio seguiu viagem em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, com previsão de chegada no próximo domingo (10). Até lá, os protocolos de prevenção e monitoramento continuam sendo adotados a bordo.


























